
Cresci na Espanha e nos EUA, em uma famรญlia de classe mรฉdia alta, onde a educaรงรฃo superior e o contato com as artes eram um dado adquirido. Meu tom de pele era mais misto do que “negro”. Nos EUA, eu era constantemente parado na rua e me perguntavam “o que hรก de errado com vocรช?”. E quando eu perguntava o que eles queriam dizer com essa pergunta, muitas vezes comentavam que eu nรฃo parecia, falava, me vestia ou me portava como uma “pessoa negra”. Os seres humanos geralmente precisam colocar os outros em estereรณtipos e caixas, para nossa prรณpria sensaรงรฃo de seguranรงa e conforto. Nรฃo aceitamos a diversidade, embora muitas vezes insistamos que sim. Isso รฉ racismo? Nem sempre. Muitas vezes, รฉ apenas ignorรขncia e medo do desconhecido.
ร engraรงado que, quando estou no Brasil, ainda me sinto mais em casa do que nos EUA. Ser chamado carinhosamente de “meu amigo gringo” รฉ melhor do que ser um “nigger” nos EUA.

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