A história de Vabbè.

A história de Vabbè.

Anna acabou de colocar Agosto, seu bebê, no berço e se aconchegou ao lado de Santos. Ele a beijou e disse: “Então ele finalmente está dormindo?!!! ” 

“Sim”, respondeu Anna. “E eu nem precisei enriquecer a mamadeira dele com cachaça.” 

Santos olhou para ela com um olhar que denotava desânimo. Anna riu e então ele foi advertido a baixar a voz. “Shhh, estou apenas brincando. Mas a ideia passou pela minha cabeça. “

Santos estava prestes a acrescentar um comentário quando Anna disse: “Querido, tenho uma pergunta a fazer; e como é hora da ‘conversa de travesseiro’, temos de responder honestamente. Estas são as regras: nunca vá para a cama com raiva ou contando uma mentira. “

Santos pareceu um pouco preocupado, mas depois disse: ‘Vamos ao jogo: me pergunte. “

Anna continuou: “Eu sei tudo sobre sua vida, mas ainda me parece que você é um estranho. “

“Um estranho! “

” Bem, uma pessoa com uma vida dupla… ou um agente secreto. “

” Você me descobriu. Sim, sou o agente secreto 69. Você quer…? 69??? “

Anna deu uma risadinha e fingiu empurrá-lo para longe, mas imediatamente assumiu um tom mais sério. “De vez em quando alguém aqui em Palermo o chama de ‘Vabbè’. Por que isso acontece?”

“Anna, querida, se eu lhe contar, sua vida pode estar em grave perigo.”

“OK, Agente Secreto 69, é hora de falar sério. Quem o está chamando de ‘Vabbé’ e por quê?!!!”

Santos concordou e disse: “Vou lhe contar uma história para dormir: a história de ‘Vabbé’”.

Anna se aconchegou no abraço de Santos e ouviu atentamente a história dele.

“Tudo começou de forma bastante inocente, meu amor. Eu cresci em uma favela e a maioria das crianças da minha idade não tinha um pai em casa, por vários motivos. Esses motivos eram basicamente contos de fadas que ficavam cada vez maiores a cada vez que eram contados. Alguns pais eram heróis, outros eram criminosos notórios, outros eram vagabundos notórios expulsos por suas mulheres. Mas toda criança tinha um “pedigree” e uma linhagem conhecida que podia ser rastreada até a favela. Ou seja, todos, exceto eu. Eu era uma curiosidade, um bastardo com um pai desconhecido”.

Anna o beijou no pescoço e o incentivou a continuar contando sua história. 

“Bem, eu perseguia minha mãe por causa do meu pai desconhecido; porque as outras crianças me perseguiam e me assediavam. Mas minha mãe havia se comprometido há muito tempo a manter o segredo. (Mais tarde, fiquei sabendo que meu pai também não sabia da gravidez dela).

“Minha mãe sempre respondia: ‘Não é da conta de ninguém, só da minha e da sua, e você é muito forte para carregar esse fardo. Diga a eles: não é da conta deles. Diga: ‘Não é importante’.

Eu sabia que isso nunca satisfaria meus amigos e meus inimigos. “Eu preciso de um NOME!”

“Estou lhe dizendo que não é importante. Tanto faz! Vabbè!!!”

Santos riu, dizendo: “Eu estava tão orgulhoso e animado que saí correndo de casa e espalhei o nome do meu pai: Tanto faz. Eu não tinha ideia do que significava Vabbè, e nem ninguém, até que um garoto de descendência italiana, rindo, disse a todos que significava ‘Não é importante’.  

Daquele dia em diante, meu nome passou a ser ‘Vabbè’. Fiquei marcado para sempre. E minha mãe não me apoiou muito, pois achava que eu havia traído egoisticamente seu segredo. ‘É bem feito para você, meu doce Vabbé’”.

Anna sentiu pena dele, mas disse: “Mas o que isso tem a ver com o fato de homens adultos o chamarem de ‘Vabbè’ em Palermo?

“Como eu lhe disse, eu não tinha dinheiro quando cheguei à Itália como imigrante ilegal. O apelido ‘Vabbè’ me serviu para meus negócios criminosos e trabalho sexual: meu nome não era importante. Essas pessoas são alguns de meus ex-colegas e clientes. Elas também têm apelidos”.

Anna deu uma risadinha e o beijou na boca, dizendo: “Tanto faz. Vamos fazer 69”. 

Santos disse: “Claro, Baby, mas primeiro tenho outra verdade para revelar”.

Anna disse em tom de brincadeira: “Bem, tanto faz, bebê!”

Santos sorriu e respondeu: “Exatamente. Gosto tanto desse apelido que o uso em segredo quando falo com Agosto sozinho”.

Anna gritou: “Nem pense nisso! Você perdeu a porra da cabeça!”

Dessa vez, foi Santos quem disse: “Fale baixo. Eu só estava brincando”.

August deu um pequeno grito e Santos disse: “Leve nosso filho para a cama. Ele quer o pai dele… o grande V…”.

Anna interrompeu: “Eu o levo para a cama. Mas não tanto faz”.

“Sim, meu amor”, disse Santos, perguntando-se se tinha acabado de quebrar a regra e levado um deitado na cama.

Anna não se importava muito. Ela só esperava que a primeira palavra dita pela criança fosse “mamãe ou papai”. Qualquer coisa, menos “Vabbè!”.

Ótimo video!

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