As empregadas. (Homenagem a Jean Genet)
As empregadas disfarçam bem
o sofrimento ao trabalhar
na casa da rude chefe.
Não adianta demonstrar emoção,
mas elas lutam para esconder
os seus sentimentos de indignação
e rancor por detrás de
sorrisos congelados e ensaiados
e respostas curtas e educadas
aos seus desabafos rudes
e infundados sobre a
suposta desarrumação e
o trabalho inacabado.
Sabem que ela não tem
autoconsciência nem inteligência social,
pois engana-se constantemente
acreditando que é tolerante
e bondosa.
Na realidade, está apaixonada
pelo seu suposto poder
e controlo sobre aqueles
que dependem dela
para o seu rendimento.
Pessoas como ela raramente
têm amigos de verdade, e ela
precisa de pagar por toda
a atenção que recebe —
de uma forma ou de outra.
— Adam Donaldson Powell

Mulher-Aranha.
Ei, Mulher-Aranha.
Está sempre entre as
mais bem vestidas da cidade,
mas nunca gasta um tostão
quando sai à noite.
Ei, Mulher-Aranha.
Tão tímida que os rapazes
te perseguem …
até os apanhares.
Ei, Mulher-Aranha.
Tão sozinha.
Tão triste.
Tão medrosa de si própria.
Ei, Mulher-Aranha.
Isto é estranho, ou quê…?
— Adam Donaldson Powell

Dance comigo.
Não prometa
estar comigo para sempre.
E não me diga
que o nosso amor
durará uma eternidade.
Em vez disso, encontre-me
completamente —
neste momento —
e dance comigo…
Dance comigo.
— Adam Donaldson Powell

Sem fôlego.
Disfarçados de feminismo
e masculinidade, andávamos
de um lado para o outro
e perseguiam a definição
com a astúcia de uma leoa:
girando e rodopiando,
cada vez mais perto,
até que o nosso precário
confronto nos colocou
frente a frente com a
insegurança e o sonho.
Enquanto as batidas
do coração de um milhão
de amazonas, tambores de guerra,
se preparavam para derrotar
a minha masculinidade
à primeira indiscrição,
carreguei a minha língua
com flechas de prata
e catapultei impiedosamente
as palavras “amo-te” contra
o seu escudo de bronze.
E simultaneamente caímos
— sem fôlego.
—Adam Donaldson Powell

Lâmina.
A nossa dança é um ritual;
uma obsessão sem sentido
entre duas traças
brincando com o fogo.
Sem correntes, sem chicote.
Apenas uma corda…
e o doce rescaldo
de uma lâmina afiada de sabre.
— Adam Donaldson Powell

“O inferno são as outras pessoas.”
- Jean-Paul Sartre, “Huis Clos” (Sem saída)
Somos aprisionados como seres vivos pelo fato de precisarmos aderir às percepções e aos julgamentos dos outros. E quando morremos, tudo o que representamos é reinterpretado pelos outros. Ficamos então impotentes para fazer qualquer coisa a respeito. Resista enquanto estiver vivo.

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