Nós não pedimos desculpas a ela

Propus um teste ao ChatGPT: escrever um poema de 25 versos começando e terminando com uma frase simples que pudesse ser usada em diversas circunstâncias e situações. Queria explorar como ele abordaria a tarefa, como interpretaria o pensamento, o raciocínio e o comportamento humanos — sem nenhuma instrução específica. Que tipo de narrativa seria apresentada?

Nós não pedimos desculpas a ela.
Porque o silêncio aprendeu a falar por nós,
e a rua guardou nossos passos como um segredo.
O tempo passou com mãos de poeira,
desenhando mapas no vidro da manhã.
Havia cartas nunca enviadas,
selos colados no coração errado.
Rimos tarde demais,
choramos cedo demais,
e ainda assim seguimos inteiros.
Ela era o nome do vento quando muda,
a lâmpada acesa em quartos vazios.
Fizemos promessas de areia,
cumprimos poucas, quebramos muitas.
A culpa tentou nos vestir,
mas preferimos a pele do risco.
Aprendemos a cair de pé,
a levantar sem aplausos.
O mundo não pediu explicações,
apenas continuou girando.
Há perdões que não cabem na boca,
há verdades que escolhem ficar.
Se voltássemos, talvez fosse igual,
talvez fosse ainda mais claro.
Nós não pedimos desculpas a ela.

Minha resposta:

Precisei de várias leituras para compreender a profundidade do que foi apresentado. Esse grupo de “amigos” sabe que não foram bons amigos para a mulher em questão, mas nunca se desculparam ou questionaram seu comportamento porque isso não era esperado ou exigido deles. Esse comportamento hipócrita, que só aparece quando a situação é favorável, é bastante comum, mas nunca o vi apresentado de forma tão insensível — reconhecendo a dor causada e, ao mesmo tempo, se esquivando da responsabilidade social. É preciso caráter para se desculpar por ser um mau amigo ou por tratar alguém mal ao longo do tempo. Mas a resposta “acontece” é, para mim, moralmente repreensível — e muito comum. Talvez até humana demais, ChatGPT. Se eu fosse editar o poema, cortaria algumas frases, adicionaria emoção e culpa, e tornaria a história mais organizada. Mas isso destruiria a beleza crua criada ao mostrar o vazio e a falta de vontade de corrigir e mudar o mau comportamento. A vítima não fez nada de errado, mas foi simplesmente conveniente enganá-la e ridicularizá-la. Esse é frequentemente o comportamento de grupos sociais que criam regras rígidas sobre quem é aceito e quem não é.

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